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Síndrome da Mulher Maravilha
Síndrome da Mulher Maravilha

Mesmo com todo esforço, não há tempo para dar conta de tudo. E aí surge a culpa… e a Síndrome da Mulher Maravilha!

Uma das super-heroínas mais queridas e icônicas, a Mulher Maravilha, definitivamente não foi criada para viver à sombra de um herói masculino. Ao contrário: foi desenhada na década de 1940 pelo psicólogo e escritor William Moulton Marston para lutar, ser livre, ser protagonista. Não é à toa que até hoje o termo é utilizado para expressar força e coragem e combater o conceito de inferioridade feminina.

Não podemos nos esquecer que a mulher teve uma trajetória de constante luta para garantir seus direitos sociais e como indivíduo. E conseguiu se inserir no mercado de trabalho, avançar nos estudos, realizar-se profissionalmente. Porém, a maioria das mulheres não deixou de cuidar do seu espaço privado, ou seja, cuidar da família, cuidar da casa, cuidar do companheiro(a), cuidar da alimentação da família, cuidar dos filhos. Entre tantas atribuições, a mulher ainda precisa arranjar tempo para cuidar de si, resultando, ao meu entender, em uma tripla jornada e não uma dupla jornada de trabalho. E tudo ainda precisa ser executado com perfeição.

Porém, ao mesmo tempo que sua imagem contribuiu para o emponderamento feminino, a Mulher Maravilha criou sobrecarga para as supermulheres do século XXI: a chamada “Síndrome da Mulher Maravilha”, uma ilusão que a mulher deve ter superpoderes, ser bem-sucedida profissionalmente, ser excelente mãe e dona de casa, uma ótima amante para o companheiro e estar em ação 24 horas por dia para dar conta de tudo. Melhor ainda se ela estiver em boa forma física, com roupas incríveis e maquiada.

É claro que essa supermulher vive no limite de suas capacidades físicas e mentais. Inclusive, muitas vezes a ilusão de superpoderes acaba gerando patologias como depressão e ansiedade e, consequentemente, falta de concentração no trabalho, nos estudos ou ainda na vida presente. A sensação de que nunca é suficiente é constante. E aparece a grande vilã: a culpa.

Nessa avalanche de obrigações, já acompanhei diversos casos de mulheres que têm dificuldade de se dar o direito de ter um tempo de prazer somente dela, seja lendo um livro, assistindo um filme ou até simplesmente sentada no banco de um parque vendo as pessoas. Elas estão tão ocupadas em servir o outro. e o dia é curto para cumprir com todas as obrigações…  e como é difícil conseguir pensar em ter momentos de prazer com o parceiro, pois a noite chega, a exaustão toma conta e as tarefas do dia seguinte já ocupam a mente.

Percebo que nessa busca frenética pela perfeição a mulher sofre e, ao perceber que não consegue controlar tudo a sua volta, começa a se questionar, mas não consegue sair do labirinto e anda em círculos. Para lidar com toda essa pressão e cuidar das emoções, nada mais importante do que procurar a ajuda de um profissional da saúde mental como o psicólogo, pois ele ajudará a enxergar outros caminhos ou desconstruir alguns pensamentos enraizados para que a mulher moderna consiga ressignificar sua história.

 

Carmen Cordeiro da Silva

Psicóloga especialista em gerontologia