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Homem pensando sobre envelhecimento
Envelhecimento: as idades do lobo

O homem, ativo, provedor e praticamente indestrutível, quando se depara com o envelhecimento muitas vezes sai da alcateia e se torna um lobo solitário

Novembro traz à tona a forte tendência que temos em restringir a preocupação acerca do processo de envelhecimento do homem a um único órgão: a próstata. E, consequentemente, ao comprometimento da virilidade masculina. Embora a sexualidade seja um fator relevante na vida, é precisamos quebrar o estigma e mudar a abordagem sobre o comportamento do homem de meia-idade para trazer um novo olhar sobre o envelhecimento.

Apesar da luta constante dos homens pela manutenção da imagem do “super-homem” – afinal, os homens são considerados mais fortes que as mulheres, tanto fisicamente como no sentido de serem mais ativos e também os provedores da família, muitas vezes eles escondem suas dúvidas e angústias. Afinal, estão ocupados e não têm tempo ou razão para se preocuparem.

Esse comportamento também é vivenciado durante o processo de envelhecimento. Consequentemente, a maioria acaba não se preparando para encarar a velhice com equilíbrio, maturidade emocional e qualidade de vida. São muitos os anseios e sofrimentos que o homem enfrenta durante a sua meia-idade, a chamada “idade do lobo”.

O termo “Idade do lobo” surgiu no livro publicado em 1993 por Elyseu Mardegan, que na época tinha 33 anos, e chama atenção pelos seus comentários sobre a “Crise da Meia-Idade Masculina”, em que o próprio autor acreditava enfrentar esse conflito. De acordo com Mardegan, a “idade do lobo” envolve a faixa etária dos 30 a 40 anos, fase da vida em que os homens agem de modo estranho. E comparou o homem de 40 anos a um lobo: “… um animal vigoroso, veloz e resistente, quando jovem. Anda e caça em conjunto sempre durante toda a noite, mas ao envelhecer, abandona a alcateia e torna-se solitário. A esta altura, quando sai à caça, o lobo solitário costuma soltar um uivo peculiar, meio lamento, meio labrido, que produz calafrios em quem ouve”.

A metáfora enfatiza o fato de que tanto o homem quanto o lobo mudam seu comportamento quando encaram o processo de envelhecimento. A comparação com o animal é diferente do que muitas pessoas pensam, a do poder de sedução de conquistar mulheres de qualquer idade, principalmente mais jovens.

O fato é que no processo de envelhecimento estão enraizadas questões como o medo de doenças incapacitantes, da perda de autonomia e da independência financeira, além do receio da solidão, o temor da morte e, claro, o receio de perder a virilidade sexual. Então, ele descobre o alto preço da privação de expressar seus sentimentos e de manter a imagem do “super-homem”.

Para que o homem se prepare para viver a velhice em sua plenitude, é importante que ele adote uma prevenção mais holística. É essencial que ele tenha o acompanhamento de um médico, psicólogo, etc. para evitar as possíveis complicações do envelhecimento, como doenças cardiovasculares, queda da testosterona, depressão, entre outras. Precisamos ultrapassar os estigmas da masculinidade e também os preconceitos relativos à velhice, incluindo os relativos à aceitação do envelhecimento como parte da vida.

A população precisa ser educada sobre o envelhecimento e cabe aos profissionais do campo da gerontologia garantir o atendimento aos homens em todas as etapas do envelhecimento e idades do lobo para que eles possam planejar e estabelecer metas e para chegar bem lá na frente.

Fonte: Carmen Cordeiro da Silva

Psicóloga Clínica, especialista em Gerontologia – CRP 06/106108