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adolescente sofrendo com ansiedade excessiva
A ansiedade dos filhos: como lidar?

É difícil reconhecer os sinais de que seu filho precisa de auxílio profissional para lidar com a ansiedade

A ansiedade é um problema emocional cada vez mais crescente entre crianças e adolescentes, como abordamos no último post e é um sentimento normal que faz parte da vida em qualquer faixa etária.

É normal seu filho se sentir ansioso antes de uma prova difícil. Ou antes do primeiro encontro. Ou que tenha dificuldade para pegar no sono às vésperas de uma viagem. Isso não quer dizer que ele seja uma pessoa ansiosa. A ansiedade é normal e é, ao mesmo tempo, o sentimento de excitação que surge frente a algum acontecimento que consideramos importante. Mas, em alguns casos, a sensação é tão intensa que causa um medo tão excessivo que paralisa e altera o dia a dia.

Infelizmente, não existe um exame capaz de detectar se o nível de ansiedade está acima do normal. Por isso, é importante os pais ficarem atentos. Observar os sinais e procurar auxílio profissional precocemente é essencial para evitar complicações, como a depressão. No entanto, como o processo de amadurecimento é um momento conturbado, muitos pais sentem dificuldade em identificar o que é normal e quando devem se preocupar.

Primeiramente, é importante excluir se você, mãe ou pai, está gerando a ansiedade em seu filho. Pais ansiosos, filhos ansiosos! Tanto por influência do ambiente em que são criados quanto pela genética, a angústia dos pais tem influência na reação dos filhos. O pai ou a mãe, ao achar que o filho vai sofrer em alguma situação, acaba muitas vezes deixando o filho apreensivo. Então, observe o seu comportamento e procure manter a calma quando seu filho está preocupado por conta de um evento ou situação. Ou seja, antes de rotular seu filho como ansioso, reflita sobre seu próprio comportamento.

Para que seu filho consiga lidar com a ansiedade, também é necessário que ele se sinta acolhido. Portanto, procure entender e reconhecer seus medos. Não minimize o sofrimento do seu filho e encoraje-o a superar a sua ansiedade sem forçá-lo a nada. Diga que você entende por que ele está com medo, inclusive que também já se sentiu assim. Também não tente evitar que ele enfrente a situação, tentando poupá-lo ou mesmo mudando o curso da ocasião. A ideia é fazê-lo se sentir amparado.

PRECISA DE AJUDA PROFISSIONAL?

A luz vermelha deve acender quando a ansiedade começa a atrapalhar o dia a dia do seu filho, seja no rendimento escolar, nas relações com a família e com os amigos, ou mesmo provocando sintomas reais para o corpo, como dor de barriga, dor de cabeça, dificuldade para dormir, unhas roídas, e até vômito.

Caso o suporte dos pais não seja suficiente para que a criança ou adolescente consiga lidar com a ansiedade, é hora de procurar a ajuda de um profissional. O acompanhamento de um psicólogo pode contribuir para que seu filho consiga lidar melhor com seus sentimentos. A participação dos pais nesse processo é fundamental, pois o trabalho realizado pelo profissional depende muito do envolvimento da família no tratamento.

Uma das grandes preocupações em relação a procurar ajuda profissional para a ansiedade é a prescrição de remédios antidepressivos para crianças e jovens. É verdade que, em alguns casos, quando há outras doenças associadas, como depressão, ou quando a própria ansiedade é considerada severa, o medicamento pode ser necessário. No entanto, na maioria dos casos, a terapia é suficiente para que a criança e o adolescente aprendam as estratégias necessárias para responder de forma diferente, às situações que a deixam ansiosa.

Márcia Cristina Gomes Correa

Psicóloga Clínica – (11) 99688-9234

Ansiedade na adolescência

A ansiedade está entre os problemas psíquicos mais comuns na adolescência. Identificar o quadro é decisivo para evitar complicações

Ana, 14 anos, estuda em um renomado colégio de São Paulo, conhecido pelo excelente desempenho dos alunos no vestibular das principais faculdades. Uma vez por semana, tem consulta marcada com o psicólogo e também tem acompanhamento com o psiquiatra, que administra remédios para controlar a ansiedade e a depressão. A separação dos pais, a pressão para acompanhar os estudos e a dificuldade em se relacionar com os colegas são uma combinação difícil para a jovem lidar.

Aos 17 anos, João tem dificuldade de acordar pela manhã para ir para a escola pública em que estuda. Reclama para sua mãe que está com dor de cabeça, mesmo problema relatado ontem pela manhã. E anteontem. Sua primeira namorada terminou o relacionamento recentemente porque se apaixonou por um rapaz mais velho. Já na escola, sofre por antecipação ao notar que a professora irá chamar um aluno para participar da atividade proposta na sala de aula.

Ana e João são nomes fictícios que retratam um problema muito comum entre os jovens: a ansiedade na adolescência, um transtorno psíquico que merece ser discutido e que precisa de acompanhamento profissional. A doença pode aparecer em qualquer fase da vida, mas cada vez mais é comum durante a adolescência, um período marcado por transições, descobertas, novas emoções e incertezas.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 9,3% dos jovens brasileiros apresentam sintomas de ansiedade, que é caracterizada pela preocupação excessiva sobre as possibilidades futuras. Não se trata de um simples nervosismo antes de uma prova. Mas um sentimento incontrolável que traz prejuízo no dia a dia e envolve o medo de errar, de se frustrar, de levar um não, de ser criticado ou mesmo de enfrentar situações imprevisíveis e incontroláveis.

O problema é que nem sempre o quadro é fácil de identificar ou chega a ser incapacitante e, caso não seja detectado, pode se agravar e evoluir para outros distúrbios como a depressão. Apesar de ser relacionada a um predisposição genética, alguns fatores contribuem para o quadro:

  • Viver em ambientes estressantes;
  • Sofrer bulling;
  • Separação dos pais ou problemas familiares;
  • Ser vítima de situações de violência ou abuso sexual;
  • Pressão escolar;
  • Dificuldade em lidar com frustrações;
  • Necessidade de ser aceito pelos colegas na vida real e nas redes sociais.

O adolescente ainda está construindo sua identidade e não tem experiência de vida para saber lidar com certos sentimentos e a ansiedade pode atrapalhar seu desenvolvimento e fazê-lo a acreditar em coisas que não são reais. É importante os pais, sempre que notarem algum comportamento diferente, tentar conversar e buscar ajuda profissional.

Fonte: Márcia Cristina Gomes Correa

Psicóloga Clínica