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A depressão atinge homens e mulheres de todas as idades e é um desafio para pacientes e profissionais da saúde

O cenário é assustador: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem com a depressão – e provavelmente esse número subestima o total de casos. A projeção é que a doença será́ a enfermidade mais apresentada em indivíduos residentes nos países em desenvolvimento em 2020. Ou seja, no ano que vem.

A depressão atinge pessoas de qualquer sexo e idade – crianças, adolescentes, adultos e idosos. No entanto, estudos apontam que as mulheres têm duas vezes mais chances de ter depressão, possivelmente devido às questões hormonais e ao fato de assumirem inúmeros papéis sociais. Embora os homens possam manifestar a doença em qualquer idade, o problema geralmente fica mais perceptível no período da andropausa ou próximo à aposentadoria, quando ele não consegue mais disfarçar e familiares notam que algo diferente está acontecendo.

Mas será que o problema é exclusividade do nosso atual mundo hiperconectado? Na verdade, a depressão é uma doença muito antiga que já era conhecida na era de Hipócrates, no século IV a.C, porém era chamada de outras maneiras. Atualmente, estima-se que sejam diagnosticados aproximadamente 2 milhões de casos por ano no Brasil. A doença atinge 5,8% da população do país – taxa que está acima da média global (4,4%), segundo dados da OMS.

Então, o mundo está ficando cada vez mais deprimido? É difícil afirmar. Hoje temos mais conhecimento sobre os problemas psíquicos e como eles afetam nosso corpo. E cada vez mais remédios para tratá-los.

Ao mesmo tempo, temos uma sociedade cada vez mais conectada, competitiva e individualista. A carreira profissional é transformada em existência e a tecnologia cada vez mais nos impossibilita de ter momentos privados. Vivemos sobre uma pressão constante para seguir os padrões estabelecidos pela sociedade e temos que assumir com perfeição nossos diversos papéis: o profissional, o social e o íntimo. O Ócio, tão necessário para o equilíbrio e o bem-estar, é cada vez mais rara. Somos bombardeados o tempo todo com informações e geralmente nos sentimos em falta de estar em dia com o dinamismo.

Segundo o psicólogo Andrew Solomon, autor do livro O Demônio do Meio-Dia – Uma Anatomia da Depressão (Ed. Companhia das Letras, 2000), a depressão “… é a solidão dentro de nós que se torna manifesta e destrói não apenas a conexão com outros, mas também a capacidade de estar em paz consigo mesmo. Embora não previna contra a depressão, o amor é o que tranquiliza a mente e a protege de si mesma. Medicamentos e psicoterapia podem renovar essa proteção, tornando mais fácil amar e ser amado, e é por isso que funcionam.”

Ao longo da vida, nos deparamos com acontecimentos desagradáveis que nos fazem sentir tristeza e sofrimento. E conseguimos, com o passar do tempo, enfrentar e superar os obstáculos. Entretanto, a depressão não é qualquer estado de tristeza e muitas vezes a angústia não é causada por um evento específico. É um sentimento de vazio, um enfraquecimento do existir ou até mesmo a incapacidade de sentir.

Alguns sinais que identificam o quadro depressivo: interesse ou prazer diminuído, perda ou ganho significativo de peso, insônia ou hipersônia, agitação ou retardo psicomotor, fadiga e perda de energia praticamente diária, sentimento de inutilidade, culpa excessiva, dificuldade em se concentrar, falta de interesse pelo presente e receio pelo futuro, pensamentos sobre a morte e suicídio, com ou sem planos específicos e até a tentativa de suicídio. As pessoas com depressão tendem a ressaltar os problemas de sua vida, sem uma perspectiva de
melhora. No entanto, é importante ressaltar que o diagnóstico deve ir além dos sintomas e exige atenção no processo de identificação.

A depressão afeta o indivíduo e suas relações no trabalho, com a família e com os amigos, e o tratamento é indispensável para controlar o quadro, com o acompanhamento de um psicólogo e uso concomitante de remédios, se necessário. A prática de exercícios físicos também é importante, desde uma simples caminhada ao ar livre até treinos em academia. O essencial é encontrar uma atividade prazerosa. Gosta de dançar? Então dance!

O processo de cura da depressão deve ser individualizado e não é uma tarefa fácil nem um trajeto para ser percorrido sozinho, sendo fundamental o apoio de profissionais especializados, de familiares e de amigos.

Fonte: Carmen Cordeiro da Silva
Psicóloga Clínica
Especialista em Gerontologia