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Os ácidos graxos ômega-3 podem não reduzir o risco de eventos cardiovasculares, mortes por doença coronariana como infarto, derrames ou arritmias cardíacas, é o que sugere uma nova pesquisa lançada em julho de 2018.

Uma revisão sistemática Cochrane que abrangeu achados de 79 estudos envolvendo mais de 112.000 pessoas não encontrou evidências de que o aumento do consumo de ácido alfa-linolênico (ALA) e ácidos graxos ômega-3 de cadeia longa (LCn3) ou ácido docosahexaenóico aumentem a saúde cardiovascular ou protegem contra a morte por todas as causas cardiovasculares.

Evidências de baixa / moderada qualidade sugerem que o ALA pode reduzir levemente os eventos cardiovasculares, mortalidade e arritmias, e evidências de alta qualidade sugerem que o Omega 3 pode reduzir os triglicerídeos e aumentar o colesterol bom (HDL). Muitas diretrizes práticas recomendavam gorduras ômega-3, na forma de óleo de peixe ou suplementos, para melhorar a saúde cardiovascular. O Omega 3 é derivado de peixes, enquanto o acido alfa-linoleico vem de fontes vegetais e é parcialmente convertida em ácidos graxos Omega 3 dentro do corpo.

Alguns estudos na década de 90 sugeriam benefícios das gorduras ômega-3 contra doenças cardiovasculares, incluindo redução da pressão arterial, alteração do perfil lipídico, redução da trombose, produção de efeitos antiinflamatórios e antiarrítmicos, melhorando a função endotelial vascular e sensibilidade à insulina. So que esses estudos não foram consistentes e foram de baixo poder estatístico.

A Organização Mundial de Saúde questionou o real papel dessas gorduras e surgiu esse estudo para avaliar os efeitos das gorduras poli-insaturadas na saúde e, como parte desse projeto mais amplo, avaliar os efeitos das gorduras ômega-3 nos desfechos cardiovasculares.

Para investigar a questão, os pesquisadores revisaram 79 ensaios envolvendo 112.059 pessoas. Usando análises meta-analíticas e de sensibilidade, os pesquisadores descobriram pouco ou nenhum efeito do aumento do Omega 3 na mortalidade por todas as causas cardíacas comparado com placebo ou dieta habitual. Da mesma forma, pouco ou nenhum efeito foi encontrado para mortalidade cardiovascular, eventos cardiovasculares, doença coronariana, acidente vascular cerebral ou arritmia cardíaca. Resultados decepcionantes.

Os pesquisadores notaram que as gorduras ômega-3 reduzem os triglicérides a muito longo prazo e também aumentam ligeiramente o colesterol bom (HDL), mas outros efeitos para a saúde não parecem se seguir. Lembramos que o óleo de peixe não é isento de efeitos colaterais, incluindo toxicidade e altos níveis de mercúrio, e as gorduras ômega-3 podem prolongar o tempo de sangramento ou suprimir a resposta imunológica normal.

Precisamos nos concentrar em mudanças no estilo de vida que realmente funcionam, fazer uma dieta balanceada com proteínas(25%), grãos(25%), legumes, verduras e saladas(50%) com baixíssima adição de açucares, sal e gorduras, moderar em carboidratos, manter atividade física constante (mais do que 150min de atividade moderada por semana), ainda são a receita de longevidade e prevenção de eventos cardiovasculares como infarto e AVC.

Cabe mais uma vez o alerta que devemos esperar um pouco mais antes de gastar dinheiro com novos medicamentos e receitas que prometem “milagres”.

O projeto foi apoiado pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde, através do financiamento da Cochrane Infrastructure para o Heart Group. Hooper e co-autores não relatam conflitos de interesse. Johnson declara não haver conflitos de interesse.