Bem vindos ao Espaço Saúde Granjardim
Consultórios para profissionais da saúde na Granja Viana
(11) 4702-6652 / 4702-6781 contato@espacosaudegranjardim.com.br

A ansiedade está entre os problemas psíquicos mais comuns na adolescência. Identificar o quadro é decisivo para evitar complicações

Ana, 14 anos, estuda em um renomado colégio de São Paulo, conhecido pelo excelente desempenho dos alunos no vestibular das principais faculdades. Uma vez por semana, tem consulta marcada com o psicólogo e também tem acompanhamento com o psiquiatra, que administra remédios para controlar a ansiedade e a depressão. A separação dos pais, a pressão para acompanhar os estudos e a dificuldade em se relacionar com os colegas são uma combinação difícil para a jovem lidar.

Aos 17 anos, João tem dificuldade de acordar pela manhã para ir para a escola pública em que estuda. Reclama para sua mãe que está com dor de cabeça, mesmo problema relatado ontem pela manhã. E anteontem. Sua primeira namorada terminou o relacionamento recentemente porque se apaixonou por um rapaz mais velho. Já na escola, sofre por antecipação ao notar que a professora irá chamar um aluno para participar da atividade proposta na sala de aula.

Ana e João são nomes fictícios que retratam um problema muito comum entre os jovens: a ansiedade na adolescência, um transtorno psíquico que merece ser discutido e que precisa de acompanhamento profissional. A doença pode aparecer em qualquer fase da vida, mas cada vez mais é comum durante a adolescência, um período marcado por transições, descobertas, novas emoções e incertezas.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 9,3% dos jovens brasileiros apresentam sintomas de ansiedade, que é caracterizada pela preocupação excessiva sobre as possibilidades futuras. Não se trata de um simples nervosismo antes de uma prova. Mas um sentimento incontrolável que traz prejuízo no dia a dia e envolve o medo de errar, de se frustrar, de levar um não, de ser criticado ou mesmo de enfrentar situações imprevisíveis e incontroláveis.

O problema é que nem sempre o quadro é fácil de identificar ou chega a ser incapacitante e, caso não seja detectado, pode se agravar e evoluir para outros distúrbios como a depressão. Apesar de ser relacionada a um predisposição genética, alguns fatores contribuem para o quadro:

  • Viver em ambientes estressantes;
  • Sofrer bulling;
  • Separação dos pais ou problemas familiares;
  • Ser vítima de situações de violência ou abuso sexual;
  • Pressão escolar;
  • Dificuldade em lidar com frustrações;
  • Necessidade de ser aceito pelos colegas na vida real e nas redes sociais.

O adolescente ainda está construindo sua identidade e não tem experiência de vida para saber lidar com certos sentimentos e a ansiedade pode atrapalhar seu desenvolvimento e fazê-lo a acreditar em coisas que não são reais. É importante os pais, sempre que notarem algum comportamento diferente, tentar conversar e buscar ajuda profissional.

Fonte: Márcia Cristina Gomes Correa

Psicóloga Clínica